Muito antes de o PRX se tornar um dos relógios mais conhecidos da Tissot, a marca suíça já possuía linhas que buscavam unir elegância, presença no pulso e tradição relojoeira. Entre elas estava a família Couturier, apresentada como uma coleção de perfil clássico e sofisticado, criada para quem procurava um relógio capaz de transitar com naturalidade entre o uso cotidiano e ocasiões mais formais.
Antes do PRX, havia o Couturier
A linha Couturier ganhou espaço no catálogo da Tissot ao longo dos anos 2000 e início da década de 2010, em uma época em que a marca ainda não dependia de uma única coleção para chamar atenção. O Couturier representava outra proposta: caixas mais tradicionais, mostradores sóbrios, versões de três ponteiros e cronógrafos, além de opções em quartzo e automáticas. Era uma família pensada para transmitir elegância sem abandonar a identidade suíça da Tissot.
Uma coleção com muitas faces
O nome Couturier não identificava apenas um único relógio, mas uma família relativamente ampla dentro do catálogo da Tissot. Havia modelos mais discretos, versões com mostradores claros ou escuros, relógios em pulseira de couro, opções com bracelete de aço e cronógrafos com presença muito maior no pulso. Essa variedade ajudava a transformar o Couturier em uma espécie de coleção transversal: suficientemente clássica para acompanhar um terno, mas sem parecer deslocada em situações mais casuais.
O desenho que definiu o Couturier
Apesar das diferentes versões, alguns elementos ajudavam a dar unidade à coleção: caixas de linhas clássicas, mostradores organizados, índices aplicados e uma construção que transmitia mais sobriedade do que esportividade. O Couturier não tentava parecer um relógio de ferramenta nem seguir modismos. Sua proposta estava justamente no equilíbrio — um relógio suíço tradicional, com presença suficiente para ser percebido, mas sem precisar chamar atenção de maneira exagerada.
Quartzo e automático na mesma coleção
O Couturier também refletia uma estratégia bastante comum da Tissot naquele período: oferecer diferentes interpretações de uma mesma proposta. A coleção reuniu modelos a quartzo e automáticos, permitindo que o comprador escolhesse entre praticidade, precisão e manutenção simples ou a experiência tradicional de um movimento mecânico. Em vez de limitar o Couturier a um único perfil de público, a Tissot construiu uma família capaz de atender diferentes maneiras de viver a relojoaria.
Dois Couturier, duas personalidades
Na coleção do A Gente Curte Relógios, essa diversidade da família Couturier aparece de forma muito clara em dois modelos: o T035.410 e o T035.617. O primeiro é um três ponteiros a quartzo, com data e desenho mais limpo, discreto e clássico. O segundo é um cronógrafo a quartzo, com submostradores, escala taquimétrica e uma presença muito mais esportiva no pulso.
Colocados lado a lado, eles mostram como a Tissot conseguiu trabalhar propostas diferentes dentro da mesma família sem perder a identidade do Couturier. Um representa a sobriedade. O outro, a complexidade visual e a presença de um cronógrafo. Dois relógios distintos, mas claramente pertencentes ao mesmo universo.
T035.410: a essência mais clássica
O T035.410 representa o lado mais sóbrio da família Couturier. Seu mostrador de três ponteiros, a janela de data e a organização limpa dos elementos criam um relógio fácil de ler e naturalmente elegante. É aquele tipo de desenho que não depende de tendências para funcionar: simples o bastante para o uso diário, mas com presença suficiente para acompanhar situações mais formais.
No exemplar da coleção do A Gente Curte Relógios, a pulseira original marrom foi substituída por uma pulseira preta, uma mudança pequena que alterou bastante sua personalidade. O relógio ficou mais sóbrio e contemporâneo, sem perder o caráter clássico que define essa versão do Couturier.
T035.617: o lado mais esportivo do Couturier
Se o T035.410 representa a face mais clássica da coleção, o T035.617 mostra até onde a Tissot conseguia levar a mesma linguagem para um relógio de presença muito mais forte. O cronógrafo traz submostradores, escala taquimétrica e uma leitura visual mais carregada, mas sem abandonar o acabamento elegante que caracteriza a família Couturier.
No pulso, ele transmite uma personalidade completamente diferente do três ponteiros. É mais robusto, mais técnico e chama mais atenção, principalmente quando combinado ao bracelete de aço. Ainda assim, continua sendo claramente um Couturier: um cronógrafo pensado para equilibrar esportividade e sofisticação, sem assumir a aparência de um relógio-ferramenta.
Antes do fenômeno PRX
Hoje, para muita gente, Tissot e PRX quase parecem sinônimos. O sucesso da linha foi tão grande nos últimos anos que acabou concentrando boa parte da atenção do público mais novo. Mas a história da marca é muito maior do que isso, e o Couturier é um bom exemplo de uma época em que a Tissot trabalhava com várias famílias fortes ao mesmo tempo.
Revisitar o Couturier hoje ajuda a lembrar que a identidade da Tissot não nasceu com o PRX. Muito antes dele dominar vitrines, redes sociais e o imaginário de novos colecionadores, a marca já explorava diferentes formas de combinar elegância suíça, movimentos acessíveis e design pensado para o uso cotidiano.
Uma história que merece ser lembrada
O Tissot Couturier talvez nunca tenha alcançado a popularidade que o PRX conquistaria anos depois, mas isso não diminui sua importância. Pelo contrário: ele representa uma fase interessante da Tissot, quando a marca oferecia uma gama muito mais ampla de estilos para públicos diferentes, sem depender de um único fenômeno comercial.
Para quem conhece a Tissot apenas pelo PRX ou pelo Gentleman, revisitar o Couturier é uma oportunidade de descobrir uma parte menos comentada da história recente da marca. E, para quem já convive com um desses relógios no pulso, talvez seja também uma forma de perceber que existe muito mais história ali do que parece à primeira vista.
E finalize com:
Eu sou o Juliano, e A Gente Curte Relógios.
Até a próxima história.
